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A Freguesia do Ó vista por
Visconde Taunay

A Freguesia do Ó é considerado um dos mais antigos bairros de São Paulo e tem uma história que confunde-se com a de São Paulo e até do Brasil. O advogado óense João Jaime Ramos tem feito uma ampla pesquisa sobre fatos históricos ligados ao bairro e, segundo informou, há fortes indícios de que, antes mesmo da fundação de São Paulo, pelo padre José de Anchieta, outros visitantes já haviam passado por ali.
João Jaime prepara texto que constará de livro histórico que será editado por ele ainda este ano. Dentre as pérolas que deverão constar do mesmo, está o um texto que encontrou em um livro escrito pelo Visconde de Taunay, chamado “Marcha das Forças – Expedição de Mato Grosso” (1865/1866), editado em 1928, onde relata uma expedição, possivelmente de um grupo de Bandeirantes, rumo ao Mato Grosso e que partiu em 10 de abril de 1865, fazendo uma parada na Freguesia do Ó, assim descrito pelos viajantes: “É um ponto muito pitoresco, construída a capela no alto de um quase morro, alcança de lá avista até a cidade de São Paulo, o que não pudemos verificar, porque, na ocasião, intensa neblina cobria um véu espesso e alvacento”.

TEXTO NA ÍNTEGRA
Segue texto do citado livro, na íntegra, onde está mantida a escrita original daquela época:
“A partir de 10 de abril de 1865, começou a missão com essas palavras: “Em marcha pela estrada que se dirige à Campinas, seguiu o rumo NO e fez uma pequena parada a ¾ de légua, depois de ter caminhado por espaço de 1 ½ hora. Às 6 ½ prosseguiu além atravessando o rio Tietê, ás 7 horas, a 1 légua de S. Paulo. O tributário do Paraná tem n’este lugar 33 metros de largura 3m,30 de profundidade; a ponte que ahi existe e de madeira: tem de comprimento 33 metros e de largura 4m,40, e, conquanto sólida faltam-lhe outras condições que convêm às construções d’esta ordem. O rio corre para o poente e é, no lugar em que foi atravessado, navegável por canoas.
Chamado a princípio Anhenby, tem ainda o Tietè este nome em alguns mappas. A sua denominação legítima é Yeté, que quer dizer muita água. Por corruptela, accrescentou-lhe o uso um T. Nasce na Serra do Mar, e vai desaguar, depois de um curso de 190 a 200 léguas, no Paraná. È navegável desde Porto Feliz, antiga Freguezia de Nossa Senhora Mãi dos Homens de Araritaguaba, a 22 léguas da cidade de S. Paulo.
As 8 ½, fez a força alto em frente a igreja de Nossa Senhora do Ó, pertencente á freguezia desta invocação.
É um ponto muito pitoresco construída a capella no alto de um quase morro, alcança de lá a vista até a cidade de S. Paulo, o que não pudemos verificar, porque na occasião intensa neblina a cobria um véo espesso e alvacento.
A distancia que media entre S. Paulo e aquella freguezia é 1 ½ légua, a estrada, quasi toda plana, terá, termo médio, 4m, 0 de largura.
Ás 10 horas chegou a força no lugar denominada Taipas, distante da freguezia de Nossa Senhora do Ó 1 légua ou 2 ½ de S. Paulo”



A história das igrejas do Ó

Há certa confusão quanto
ao fato de
existirem dois Largos,
o da Matriz,
Velha e o de
Nossa Senhora
do Ó, na
Freguesia do Ó. Isto é esclarecido quando se observa a história do bairro e a origem dos prédios da igreja. Veja o que ocorreu lendo o texto que se segue, extraído do folheto editado pela Comissão de Restauração da Igreja de Nossa Senhora do Ó (maio/91).


Em 1610, graças a requerimento feito por Manuel Preto, fundador da Freguesia do Ó, e sua mulher Agueda Rodrigues, dirigido ao então prelado administrador padre Mateus da Costa Morim, autoridade apostólica sediada no Rio de Janeiro, a Capela de Nossa Senhora do Ó, é transferida de local, passando a situar-se no topo do morro, no atual Largo da Matriz Velha, antes se localizava nas partes baixas do bairro. Diz Manuel Preto, em seu requerimento em português arcaico: “tem devossão em fazer hua capella de Nossa sñar da esperança, pª que nella se selebre Missa, porq.to esta longe da villa e não pode acodir a Missa todas as vezes q. he obrigado, nem a sua gente q.he m.ta”.
Assim, a Capela é reconstruída no alto da colina do chamado “sítio do Jaraguá” de onde, nos dias claros, podia avistar-se ao longe a Vila de São Paulo.
A Capela serve à Comunidade durante 180 anos. Em 1795, certamente preocupado com o crescimento do rebanho de Deus, o padre João Franco da Rocha, reedifica a velha Capela ampliando-a, principalmente preparando-a para torna-se a Matriz de uma nova Paróquia. Testemunha silenciosa dessas transformações, o velho Tietê, então chamado “Anhemby”, o rio dos indígenas, corria a seus pés. A Igreja, a colina e o rio empunhavam uma bucólica paisagem, propícia à fixação do povo na região.
Um ano após, em 1796, a Igreja de Nossa Senhora do Ó, transformar-se em Paróquia. A Vila de São Paulo, até poucos antes, possuía apenas uma Paróquia: a de Nossa Senhora da Assunção ou Sé. Como Paróquia, adquire ainda maior importância junto à comunidade, pois passa a presidir todos os atos da vida civil e religiosa de seus componentes. Certifica os nascimentos, testemunha as uniões, registra seus mortos. É uma presença viva, constante no seio do povo.
É em torno da Paróquia que são celebrados os atos de devoção. É a Paróquia, que possibilita que sejam mantidas tradições religiosas e folclóricas, onde a fé e alegria autêntica do povo são renovadas.
Em 1896 na madrugada de um perdido mês, o desastre. Um incêndio, destrói quase inteiramente o templo. Consegue ser salva apenas a sacristia, onde ainda por algum tempo continuaram sendo celebradas missas. A nova igreja, erguida depois de aguerrida campanha dos fiéis, começa a ser construída no dia 9 de janeiro de 1898, já não mais no antigo local, mas agora em área maior, no atual Largo de Nossa Senhora do Ó, também conhecido como Largo da Matriz Nova, onde se encontra até hoje.




BREVE HISTÓRICO


O bairro da Freguesia do Ó tem sua história entremeada com a de São Paulo e com a do Brasil. Desde a sua fundação, em 1580, em pleno período colonial, passou por fatos relevantes. Foi fundado por um bandeirante; serviu de retiro campestre para figuras importantes do Império e, depois na República, foi produtor de cana-de-açúcar e da "Especial Caninha do Ó''.
Após a primeira década do Século 20 ganhou impulso a fase de urbanização com os loteamentos, expandindo-se por sobre a Serra da Cantareira. Deixou de ser um bucólico recanto rural para entrar no ritmo da cidade e tornar-se o que é hoje, um dos principais bairros de São Paulo, centro de uma ampla região que abrange quatro subdistritos (Brasilândia. Nossa Senhora do Ó, V.N. Cachoeirinha e Limão), formados por inúmeras vilas e jardins.

MANOEL PRETO
Para se falar da história da Freguesia do Ó é necessário retornar ao período Brasil-Colônia, mais exatamente ao ano de 1580, quando o Bandeirante Manoel Preto tomou posse de ampla área à margem direita do Rio Tietê. A Freguesia do Ó, que é um dos mais antigos bairros de São Paulo, serviu, no começo da colonização, quando era apenas um lugarejo de São Paulo, como ponto de apoio para os exploradores de ouro das minas existentes no Pico do Jaraguá.
O fundador da Freguesia do Ó, Manoel Preto, era um dos homens mais importantes do período dos Bandeirantes, façanhudo e controvertido, ele criou fama escravizando índios e punindo exemplarmente escravos negros.

A FUNDAÇÃO DA IGREJA

Foi o fundador da Freguesia do Ó, o bandeirante Manoel Preto, o responsável pela construção da primeira capela, uma necessidade dos antigos moradores, que anteriormente para participar dos rituais religiosos tinha que deslocar-se até à Sé. A primeira missa no Ó ocorreu no dia 18 de setembro de 1615, embora o historiador Azevedo Marques fale em 1610 como sendo a data de fundação da capela, chamada então de Nossa Senhora da Esperança.
Para obter a autorização da Santa Sé, Manoel Preto teve que doar ao Vaticano as terras onde instalou a capela, além de alguns bens materiais, como gado e plantação. Em compensação teve assegurado a seus filhos a posse da igreja e a obrigatoriedade de se celebrarem cinco missas anuais pela sua alma.


COMÉRCIO

A Freguesia do Ó permaneceu isolada do crescimento de São Paulo até a década de 30. Só a partir de então é que passou a ganhar estrutura urbana e se expandir.
Até 1920 era muito utilizado pelos moradores o transporte fluvial, através do Rio Cabuçu e Tietê. O comércio iniciou-se no começo do século, com um armazém de secos e molhados pertencente a Porfídio Guerra, no Largo da Matriz Velha, e uma loja de armarinho que pertencia a Francisco Rodrigues de Siqueira (Chico da Loja), no Largo da Matriz Nova, mas foi a partir de 1914 que o comércio ganhou nova força com a chegada dos imigrantes europeus, das famílias Pieroni, Zampierri, Polli, Zuani, Marchini e outras.


INDULGÊNCIAS
O bandeirante acreditava no valor das indulgências. A sua consciência pesada queria garantir um lugar no céu, mesmo tendo cometido tantas atrocidades contra índios e negros.
A igreja construída por Manoel Preto, em 1794, acabou se arruinando pela ação do tempo e foi abandonada, dando lugar a uma outra, feita de taipas, no Largo da Matriz Velha, e esta acabou sucumbindo a um incêndio em 1896, quando um sacristão, ao queimar um enxame de abelhas, causou a destruição. Por longo tempo as cerimônias religiosas foram celebradas na sacristia, que se salvara. Foi, porém, no ato da reconstrução, que se pode notar a união do grupo e o empenho particular de cada um dos cidadãos óenses.
Os moradores conseguiram, unindo esforços, edificar uma igreja em quatro anos. A sagração deu-se a 27 de janeiro de 1901. A invocação da igreja, originalmente Nossa Senhora da Esperança, passou então para Nossa Senhora do Ó.





 


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