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Origens da Vila Brasilândia

As matérias sobre a Brasilândia foram escritas pelo jornalista Célio Pires, editor do Freguesia News, que pesquisou e levantou o histórico da Vila Brasilândia, V.N. Cachoeirinha e Vila Santa Maria.


1. Brasilândia, primo pobre da Freguesia do Ó

Ao se falar da Freguesia do Ó e não citar a vila Brasilândia é um erro. Embora com origens e realidades diversas os dois bairros da zona norte são ligados umbilicalmente já que todas as vias de saída da Brasilândia passam obrigatoriamente pela Freguesia do Ó.
Enquanto a Freguesia tem sua origem no período colonial, a Brasilândia foi loteada em 1947, originando-se de um antigo sítio pertencente a Brasílio Simões e vendido à Empresa Brasilândia de Terrenos e Construções.
Os primeiros moradores do loteamento vieram principalmente das moradias populares e cortiços existentes no Centro e que foram demolidos para dar lugar às avenidas São João, Duque de Caxias, Ipiranga, durante gestão do prefeito Prestes Maia. Começava assim a história de um bairro marcado pela exclusão e abandono.
Também veio para a Brasilândia toda a leva de migrantes que chegara a S. Paulo na época, assim como imigrantes portugueses e italianos, além de interioranos de S. Paulo, de Jaú, Pederneiras e Bariri - todos atraídos pelo novo loteamento que oferecia a quem comprasse um terreno, parte dos tijolos e telhas para dar início a sua moradia.
Depois desse loteamento vieram outros e o bairro cresceu por sobre seus morros e baixadas. A partir da década de 60 surgiram bairros adjacentes, como vila Santa Teresinha, os Jardins Carumbé, Damasceno, Vista Alegre, etc - todos clandestinos e destinados a famílias de baixa renda. Com terrenos minúsculos e ruas estreitas não contemplaram praças públicas.
Os espaços livres, públicos e particulares, remanescentes foram totalmente ocupados por favelas - deixando a Brasilândia sem áreas livres para até mesmo se construir escolas e outros prédios públicos, em 1.984, quando a população local conseguiu, após ampla mobilização popular, a construção de um centro educacional e esportivo no bairro, o então prefeito Mário Covas (1983 a 1985) teve que desapropriar a área onde o mesmo foi construído. Era a última grande gleba desocupada do bairro e, logo após a sua construção, o entorno foi totalmente tomado por uma favela.


2. A Vega e Brasílio nos primórdios da Brasilândia

No dia 24 de janeiro de 1947 a família Simões vendeu ao empreendedor imobiliário José Munhoz Bonilha, a gleba de terra que deu origem ao loteamento denominado Brasilândia.
O loteamento teve sucesso imediato, já que o prefeito de então, Prestes Maia (1938 a 1945), havia revolucionando o Centro de S. Paulo. Ele desapropriou velhos casarões e cortiços para ampliar as avenidas São João, Ipiranga, Duque de Caxias, entre outras. As famílias saídas dali vieram em grande parte para a Zona Norte, motivados pelos baixos preços dos lotes e por ganharem parte das telhas e tijolos.
A facilidade de pagamento nas compras de terrenos oferecida pela empresa imobiliária atraía muita gente para a região. "Vendíamos um pedaço de terra quase sem entrada e para pagar em 12 meses sem juros, além de fornecermos parte do material para construção", contou José Munhoz Bonilha, quando tinha 80 anos (na década de 80).
Em 1947 chegou ao bairro o português João Rodrigues (falecido no final de 1996), que trabalhou na pedreira Vega Sopave como encarregado de obras. Rodrigues acompanhou de perto a chegada das famílias dos operários que vinham trabalhar na pedreira. Ele contou, quando deste levantamento histórico, que a Pedreira Vega era quem conservava a principal via do bairro, jogando cascalho na atual rua Parapuã.
A empresa Vega começou suas atividades na Brasilândia em 1939; logo depois foi desativada e voltou a funcionar em 1946, quando trouxe para a região muitos moradores, já que fornecia moradia aos seus funcionários. Na década de 80 foi, aos poucos, sendo desativada. Hoje, onde funcionava, localiza-se um reservatório da Sabesp, na Av. Domingos Vega.

 

 


Curiosidades sobre a V. Brasilândia


Trecho da Rua Parapuã em frente a igreja católica (terreno cercado) em 1º de janeiro de 1949

Igreja
* A inauguração da Paróquia
de Santo Antônio de
Vila Brasilândia ocorreu
em 17 de setembro de 1953, com a cerimônia
de casamento de Manoel Guilherme e Benedita Guilherme (já falecidos). Antes havia uma capela, construída em 1945
e 1946, num terreno doado por certo senhor Almeida.(foto)

Escola
* O primeiro núcleo educacional da Brasilândia surgiu da dedicação e perseverança dos mineiros Luiza Sales Rezende e Benedito Rezende, que após chegarem em 1948, ficaram inconformados com a idéia de não haver nenhuma escola pública no bairro.
Em 1950, dona Luiza conseguiu uma sala emprestada do Centro Esportivo Pai Jacó e iniciou a primeira escola pública que, somente em 1951 foi reconhecida pelo governador Lucas Nogueira Garcez, com o nome de Grupo Escolar de Vila Serralheiro.
Em 1953, o governo construiu galpões de madeiras, na então Vila Paineira, onde hoje existem as Escolas Estaduais João Solimeo e Galdino L. Chagas.

Cartório
* O Cartório de Registro Civil de Vila Brasilândia começou a funcionar exatamente às 14h, do dia 16 de junho de 1964. Os bairros abrangidos são: Parque Belém, Vila Teresinha, Jardim Carombé, Jardim Damasceno, Jardim Almanara, Vila Rica, Vila Souza, Vila Shimidt, Vila Penteado, entre outros.

Ônibus
* A inauguração da primeira linha de ônibus da Vila Brasilândia ocorreu em 1949. O ponto final localizava-se em frente à Igreja Santo Antônio, na Rua Parapuã.
* A Vila Brasilândia ganhou, no dia 18 de julho de 1977, uma linha de ônibus executiva, que ligava o bairro à Praça Ramos de Azevedo, no Centro. Era a quarta linha de ônibus executivo implantada pela CMTC na cidade de São Paulo; a tarifa era de Cr$8,00 (oito cruzeiros).
* Naquela época o bairro dispunha de outras duas linhas que iam até a Praça da República: a especial da CMTC (Cr$4,50) e a 848 da Viação Tusa -Transportes Urbanos S/A - (Cr$1,80). Havia também as lotações clandestinas que chegavam a cobrar Cr$15,00.

Jornal
* O primeiro jornal deste bairro foi o “Jornal da Brasilândia”, fundado em 1982. Antes disso existiu, por curto período, um minijornal “xerocado” denominado “Pombo Correio”, de 1964, e editado por Zezinho Rodrigues.

Cinema
* O Cine Brasilândia foi um grande núcleo cultural do bairro, além de se tornar o ponto de encontro de jovens na década de 70. De propriedade de Felix Fraga funcionou durante a década de 70 no prédio onde hoje está a loja da Eletro. O primeiro filme exibido foi “Frei Escova”.
Antes existiu um outro cinema, localizado na esquina da rua Parapuã e atual Otaviano Basílio da Silva, era todo de madeira.

Futebol
O “pai” do futebol varzeano da Brasilândia foi seu Joaquim, conhecido como “Velho Quim”. Pioneiro do bairro, ele testemunhou o nascimento dos primeiros times de futebol. Em 1949 nasceu o Elite, fundado por Edmundo e Eduardo Basílio, Luizinho Careca, Dinho e pelo próprio Quim. Em 1950, surgiu o Tiro ao Pombo, por influência de Oscar Claro Cunha, diretor do Clube de Caça Tiro ao Pombo (já extinto).

Atletismo
Em 1º de maio de 1956, a Vila Brasilândia promovia a prova pedestre “Oscar Claro Cunha”, na distância de 5 mil metros para homens e 400 para meninos de 10 a 13 anos, com o apoio do jornal Gazeta Esportiva. A prova para homens destinava-se a atletas amadores de qualquer parte de São Paulo. O vencedor da primeira prova foi Benedito Malaquias.

Córrego
Rio das Pedras córrego Rio das Pedras, também chamado Guarariroba, tem extensão de dois mil metros. A luta pela sua canalização teve em Antônio Nico Pereira (já falecido), presidente da Sociedade Amigos da Brasilândia, seu mais ferrenho defensor.
Foram mais de 20 anos de luta árdua.
A primeira fase da canalização, de apenas 358m, começou em 1986 e a totalidade da obra que ainda não aconteceu.
(colaborou Zezinho Rodrigues)




 


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